13.4.15

Uma pequena casa de chá em Cabul


Eu sempre me interesso por histórias do Oriente Médio. Claro que a realidade é muito diferente da minha e que a vida lá é muito difícil, mas eu acho que aquela região esconde muitos mistérios e histórias... fico encantada.

Eu achei esse livro em uma daquelas estantes em que você pode simplesmente pegar algum livro que te interesse e levar pra casa pra ler e, como a capa e o título me chamaram tanto a atenção, eu não pensei duas vezes.

Deborah Rodriguez, apesar do nome, é norte-americana. Cabeleireira, foi parar em Cabul junto com um grupo de ajuda humanitária e não voltou mais. Achou nos afegãos amizades verdadeiras e descobriu que poderia ser muito útil com sua função, já que no Afeganistão é comum que as mulheres gerenciem seus próprios salões de beleza (alguém conhece o filme Caramelo? Tem a mesma premissa, apesar de se passar no Líbano, e é maravilhoso. Assistam!).

Deborah descobriu aí uma oportunidade e criou a Escola de Beleza de Cabul, em que ensinava às mulheres locais o ofício, ajudando principalmente as mais vulneráveis em locais de guerra.

É importante conhecer a história da autora para entender um pouco mais da obra. A autora também tem uma casa de chá em Cabul, o que torna o livro quase autobiográfico (ela também tem outro livro, este best-seller, que se chama O Salão de Beleza de Cabul).

Uma pequena casa de chá em Cabul tem um clima gostoso, uma leitura rápida e descomplicada, que conta a história de várias mulheres. Apesar de estereotipadas de forma bastante clara, você não deixa de gostar de nenhuma delas, pois todas tem algo a dizer, uma mensagem a passar.

"E lá foram elas, pelas ruas dizimadas, voltando pra casa, cada uma carregando seu próprio segredo."

A principal delas e, claro, dona da casa de chá, se chama Sunny. Uma norte-americana que, por causa de um antigo amor, decidiu largar tudo e se mudar para Cabul. Ela tem uma relação forte de amor e ódio pela cidade, e desde o primeiro dia que colocou os pés ali sabia que não poderia ficar pra sempre. A cidade é um caos e constantemente atacada por bombardeios terroristas — todos vivem com medo.

Logo no começo do livro, Sunny acolhe Yasmina, uma jovem grávida que foi jogada de um carro em movimento. Sem essa oportunidade, Yasmina com certeza seria linchada na rua, quando as pessoas descobrissem que ela estava grávida e não tinha marido (que morrera há alguns meses, mas isso não importa).



Ao precisar de dinheiro para levantar um muro ao redor da casa e torna-la segura para acolher estrangeiros, Sunny começa a fazer eventos semanais, normalmente feitos por mulheres, falando de direito e saúde das mulheres, o que lhe abriu portas para um novo mundo. Nesse novo mundo, ela conhece Candace (outra norte-americana, antiga primeira dama que larga o marido para fugir com um afegão) e Isabel (jovem londrina, típica jornalista que é capaz de correr o mundo atrás de uma boa história).

Essa turma de mulheres marcantes é que dá tom ao livro. Ele tem romance, claro — Halajan, idosa e viúva, dona da propriedade onde fica a casa, é apaixonada a vida toda por outro homem, que hoje também é viúvo, mas eles não podem ficar juntos por causa da tradição; Sunny que é apaixonada por Jack, outro norte-americano que frequenta a casa de chá — mas acho que a personalidade dessas mulheres, e suas aventuras, é que fazem o livro ficar interessante, no final das contas.

A luta pelos direitos das mulheres em um lugar tão opressor, onde não se há voz, e a relação que cada uma tem com a cidade, é o que fez valer a pena. Então, se você gosta de histórias que são água com açúcar, mas também tem interesse em personalidades femininas fortes e gosta de enredos que se passam em lugares outros que não EUA–Europa, acho que você vai gostar. :)




2 comentários :

  1. Anônimo14.4.15

    Brunna, você nunca pensou em fazer uma bookshelf tour? :D Seria tão legal! \o/

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    Respostas
    1. Eu preciso organizar a bagunça, primeiro... rs Quem sabe um dia. :)

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